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A gentileza do destino!

Hoje é o casamento do meu melhor amigo. Confesso que não imaginava que ficaria tão emocionada e ansiosa com essa data como estou hoje (acredito até que mais ansiosa que ele). Afinal, pra quem acompanha há mais de 10 anos a trajetória pessoal e profissional de um grande amigo nada é mais gratificante do que vê-lo feliz ao lado de uma pessoa tão querida e especial como sua, a partir de hoje, esposa. Esta semana li um artigo muito bonito e reflexivo sobre as escolhas que fazemos em nossas vidas. Um trecho me chamou a atenção. Quando o autor diz que “pensa no amor como um voo de longa distância. O avião precisa estar carregado com o tempo da relação, com o prazer que ela proporciona e com a lealdade em que ela está baseada”. Com esse artigo (vide abaixo) faço aqui minha homenagem aos amigos Dinho e Ciça. Desejo que o avião deste casal tão importante na minha vida esteja carregado de muito amor, carinho e gentileza.

AQUI, AGORA, DE TODO O CORAÇÃO

Como fazer a escolha mais delicada da sua vida?

Escolher é difícil. Pergunte a um psicólogo e ele vai explicar por que gente obrigada a optar entre uma coisa e outra – qualquer que sejam essas coisas – sente ansiedade. Isso acontece em lojas de sapato, em restaurantes, na porta do cinema e até no sexo. Uma amiga me contou outro dia como foi estar numa festa e ter dois homens sedutores dando em cima dela. “Tive de escolher um deles, mas com um aperto no coração”, ela me disse. No dia seguinte, o bonitão que ela escolheu caiu no vácuo e nunca mais deu notícias. Escolher, ela aprendeu, é abrir mão de alguma outra coisa – e as consequências podem ser irreversíveis.
Infelizmente para nós, nem todas as escolhas são tão simples quanto a do sexo na balada. Penso na escolha mais delicada que a gente faz na vida, aquela que envolve os parceiros de longo prazo. Em que momento concluímos que uma pessoa deixou de ser apenas item de prazer ou fonte de encantamento e se tornou a criatura com quem vamos dividir a vida? Pode ser casando, comprando apartamento e tendo filhos, ou, de forma menos ritualizada, pondo os sentimentos e necessidades dela no centro da nossa vida, mesmo vivendo em casas separadas. O compromisso é parecido, assim como os caminhos que levam a ele.

A primeira coisa que conta nas grandes escolhas – eu acho – é a permanência. Ninguém tem direito a reivindicar um posto dessa importância sem ter ralado um tanto. Não adianta a Fulana decidir, em 30 dias, que vai ser sua mulher para o resto da sua vida. Não funciona assim. O teste do tempo é fundamental. Se aquela mulher ou aquele sujeito continua lá depois de todas as discussões e inevitáveis desencontros, se ela ou ele resolveu ficar depois de todas as chances de ir embora, se os seus sentimentos em relação a ele ou ela continuam vivos, um bom motivo há de haver.

É essencial, também, que a experiência de convívio seja boa. Amores tumultuados dão bons filmes e péssimas vidas. É essencial acordar no sábado e ter vontade de ficar mais tempo na cama, enrolado naquele ser ao seu lado. Se a conversa antes de dormir deixou de ser gostosa ou se qualquer programa parece mais interessante do que a companhia dela ou dele, para que insistir? O prazer que o outro proporciona é essencial. Prazer de transar, prazer de olhar, prazer de ouvir, prazer de simplesmente estar. Se você caminha pela rua com ela e os dois são capazes de rir um com o outro, algo vai bem. Se você passa a tarde com ele no sofá, lendo ou transando, e o dia parece perfeito, eis um bom sinal. A felicidade não tem receita, mas a gente percebe quando está funcionando.

Para que as coisas funcionem no longo prazo é essencial haver lealdade. Eu cuido, eu protejo, eu respeito – e você faz o mesmo comigo. Se você não sente que seus sentimentos e a sua vida são importantes para ele ou para ela, desista. Como o ambiente lá fora é hostil, é essencial saber que no interior da relação existe cumplicidade e abrigo, com um grau elevado de honestidade: você diz o que pensa e isso vai ajudar, ainda que doa. É impossível prometer que coisas ruins jamais irão acontecer, é falso garantir que os sentimentos permanecerão os mesmos para sempre, mas é essencial olhar nos olhos do outro e sentir a disposição de tentar, verdadeiramente, que seja assim. Aqui, agora, de todo o coração, tem de ser para sempre – ou então a gente nem começa.

Se tudo isso existir – e não é fácil – ainda fará falta um quarto elemento, essencial ao equilíbrio duradouro das relações: os planos. Se ele que ter cinco filhos e você não quer ser mãe, não vai rolar. Se ela quer levar uma vida de viagens e aventura e o seu sonho é ficar aqui mesmo, perto das famílias e dos amigos, não deu. Viver bem pressupõe afinidades essenciais de gosto, sentimento e expectativas, sem falar de ideologia. Todas essas coisas se refletem nos planos.Eu penso no amor como um voo de longa distância. O avião precisa estar carregado com o tempo da relação, com o prazer que ela proporciona e com a lealdade em que ela está baseada – mas as pessoas ainda têm de concordar sobre o destino. Se eu quero ir à Tóquio e você à Nova York, precisamos embarcar em vôos diferentes.

* Por Ivan Martins, jornalista da revista Época

Quanta gentileza!

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Que 2010 seja repleto de gentileza!

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. (Lya Luft)

Gostaria que o último post de 2009 tivesse um texto da Lya Luft, escritora e colunista da revista Veja. O trecho que segue abaixo traduz um pouco as reflexões e o balanço que costumamos fazer nesta época do ano sobre o que foi bom, o que foi ruim, etc. Não necessariamente que o que tenha sido ruim em 2009 deva ser classificado como um dano para nossas vidas, mas pode ser um aprendizado. Tudo depende do ângulo com que analisamos essas experiências.

(…) Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer. (Lya Luft – Pensar é transgredir)

Nesta época do ano todos desejam presentes, confraternizações, festas, champagne, amigo-secreto, Feliz Natal, Feliz Ano Novo. Eu desejo muitas coisas também, muitos presentes, desejo mais do que gentileza, eu desejo amor.

Pra ser bem sincera, acho que eu daria tudo, tudo mesmo, para ter meu paizinho de volta. Esse seria meu maior presente de Natal. Sei que desejo coisas impossíveis.  Mas quis tocar no tema amor porque quando falo na “perda” do meu pai automaticamente penso no amor.

Descobri que quando a gente “perde” alguém o amor assume uma forma diferente. Você não pode mais tocar as mãos de quem você ama. Beijar ou passar a mão nos cabelos de quem você ama. Mas quando essas sensações desaparecem, outras vêm à vida: a memória. A memória se torna seu parceiro. Você abraça, beija, toca, conversa, dá risada… A vida tem que terminar. O amor não.

Que 2010 seja um ano repleto de amor e gentileza!

* Por Tammy de Andrade

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