Dezembro 17, 2009

Quando o SAC simplesmente não funciona!

Era pra ser apenas um happy hour com algumas amigas no OutBack do Shopping Eldorado. Acabei chegando bem antes do horário combinado e decidi então dar uma voltinha descompromissada. Que perigo! Parei na vitrine doEmpório Naka e vi dois pares de sapatos que me chamaram a atenção.

Pensei: “Acho que vou dar uma olhadinha sem compromisso”.

Pensei melhor: “Acho que vou experimentar, já que tenho tempo sobrando!”

Meu Deus, mulher é um ser consumista mesmo! É claaaaro que eu me apaixonei pelos sapatos. Eles eram GLO-RI-O-SOS (como diz minha amiga Lia Rizzo). E como boa pisciana que sou, fiquei indecisa se levava um ou outro. Na dúvida comprei os dois pares de uma vez. “Isto é Impulse…”

Ops, o celular começou a tocar. Eram as minhas amigas dizendo que estavam me aguardando no OutBack, só faltava eu. Ou seja, cheguei antes de todo mundo e estava atrasada. Affe!

Dia de estreia.

No que eu pisei no hall de entrada do prédio onde eu trabalhava, a borrachinha do salto se desprendeu do sapato e eu quase tomei um rola buuunito (quase contabilizei meu segundo rola na Vila Olímpia. O primeiro rola você confere aqui, leia). O preguinho que ficou aparente no salto deslizou naquele piso de mármore como água e sabão…me vi fazendo espacate (um pouco de exagero), mas disfarcei bem o quase mico.

Bom, Juliana Almeida, minha parceira de blog, trabalhava comigo na época, e me ajudou a encapar aquela porra daquele prego com durex e fita crepe. Ficou uma beleza! Coisa fina! Um verdadeiro Manolo Blahnik. Na real eu estava furiosa! Pô, que lixo de sapato! Naquela época eu estava numa pauleira danada no trabalho e mal dava tempo pra falar ao telefone, por essa razão enviei um e-mail para o SAC do Empório Naka e relatei o ocorrido.

Algumas semanas depois…

Nenhuma resposta. Tinha quase esquecido do assunto, mas resolvi insistir. Enviei então um e-mail diretamente para a loja onde eu havia comprado o sapato, no Shopping Eldorado. Nenhuma resposta. Nem mesmo uma resposta automática de que estavam avaliando meu e-mail e que em breve me contatariam…que nada!

Resultado: como ninguém se manifestou eu mandei um sapateiro perto de casa consertar o salto, que está firme e forte até agora!

Obs: Esse episódio aconteceu cerca de um ano atrás. Dia desses eu estava relembrando essa história para uma amiga que é advogada especializada em direito do consumidor, Francine Marciano. Segundo ela, pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC)  é dever do fornecedor prestar um bom atendimento ao cliente. Isso vale não somente antes de realizar a venda, como também depois, caso haja algum problema, alguma dúvida. Orientação básica: o primeiro caminho é contatar a  própria loja. Caso a loja não possua um atendimento adequado, o consumidor pode procurar o PROCON e fazer a reclamação. Dependendo do prejuízo, o melhor a fazer é ingressar com uma ação visando o ressarcimento de todos os danos experimentados, seja de ordem material ou moral.

Esse não é o meu caso, mas a partir daquela conversa o blog Quanta gentileza ganhou este novo post.

Moral da história: tem gente que se queima por tão pouco…


* Por Tammy de Andrade

Dezembro 13, 2009

Martha Medeiros e sua gentil elegância!

A sensibilidade da escritora gaúcha Martha Medeiros em assuntos relacionados ao comportamento humano, relacionamento e atitudes rendem valiosos momentos de reflexão. Hoje o blog Quanta gentileza publica um artigo, dessa colunista do jornal O Globo, que está diretamente sintonizado com o tema deste blog.

Elegância!
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer… porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo,a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens…
Abrir a porta para alguém é muito elegante…
Dar o lugar para alguém sentar… é muito elegante…
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma…
Oferecer ajuda… é muito elegante…
Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante…
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.
Quanta gentileza em nos presentear com palavras tão verdadeiras e reflexivas, Martha Medeiros!

* Por Tammy de Andrade

Dezembro 8, 2009

Quanta gentileza Luciano Huck!

São raros os sábados que consigo assistir ao Caldeirão do Huck, mas sempre que tenho a oportunidade de ver esse programa fico emocionada com o quadro Lar Doce Lar. Algumas semanas atrás consegui ver esse quadro, onde Luciano Huck apresentou o resultado da reforma da casa da família Martiniano, em Minas Gerais.

A história de Geisa, uma mulher batalhadora que trabalha como pedreira para sustentar seus cinco filhos e um irmão. A família morava em situação aquém da improvisação, de cortar o coração, especialmente quando as únicas coisas existentes na geladeira durante o dia que a equipe fez a gravação eram um pedaço de manga e um pote pequeno com resto de canjica. Mas ali ninguém se lamentava da condição em que vivia não. O bom-humor e o sorriso no rosto daquela mulher certamente são o seu melhor sustento.

Mas uma parte nesse programa realmente me chamou a atenção, quando o assunto gentileza entrou explícitamente em pauta por alguns instantes. A filha mais nova de Geisa disse que era muito humilhada na escola pelas amiguinhas porque morava numa casa feia. Huck, com todo aquele sei jeitão bacana de falar com as pessoas, pediu pra ela convidar todas as amiguinhas da escola pra conhecer a nova casa, estudar, brincar com elas. Sabe como você devolve as coisas ruins que nos fizeram? Com gentileza, disse ele.

Acho que deixando de lado a questão da busca pela audiência, estou falando de um outro contexto, o quadro e o apresentador contribuem de ponta-a-ponta numa ação social muito bacana. Luciano Huck, extremamente articulado e influente, utiliza seus contatos e seu dedo de Midas, para conseguir preencher todo o vazio que uma família carente necessita. Seu papel de “facilitador” muda o destino de pessoas que jamais teriam a oportunidade de conseguir morar num lar decente.

Mas quando eu digo que ele contribui de ponta-a-ponta na transformação de uma família quero dizer que simplesmente reformar uma casa, entregar as chaves, dizer tchau, foi um prazer, não seria útil se falta comida na geladeira, se não há dinheiro para a manutenção e a limpeza, se não há emprego ou estudo para os filhos, enfim, condições para que um sonho tenha continuidade. E é isso que ele faz. Oferece condições para que as pessoas possam subir novos degraus. Disponibiliza oportunidades.

Eu acredito no verdadeiro desejo do apresentador em ajudar as pessoas. Ele não precisa provar nada pra ninguém. Sempre teve dinheiro, podia muito bem curtir há muito tempo sua grana e viver o seu mundo sozinho. Acho que a liderança da audiência do seu programa está diretamente relacionada com a qualidade, o perfeccionismo, a generosidade, a competência e, claro, a gentileza de Luciano Huck.

* Por Tammy de Andrade

Dezembro 2, 2009

Quanta gentileza na revista Quatro Rodas!

O tema gentileza está cada vez mais presente nas pautas dos programas de televisão, crônicas, reportagens em jornais e revistas. O assunto é recorrente especialmente nas grandes cidades quando o mau comportamento das pessoas, diante de situações de stress e caos, se sobressai. Esse comportamento tem nome: falta de gentileza.

Gestos simples como segurar a porta de um elevador para um vizinho entrar, dar bom dia, oferecer passsagem para um pedestre atravessar a rua, dizer obrigado, dar passagem para um motorista mudar de faixa, etc, podem fazer muita diferença. Essas ações possibilitam a transformação de uma rotina enlouquecedora no trânsito, por exemplo, num ambiente mais tranquilo de se conviver.

É preciso desacelerar, em todos os sentidos, e olhar ao nosso redor com mais atenção. Na edição da revista Quatro Rodas que está nas bancas o tema gentileza no trânsito é a pauta principal do Caderno paulista. Motoristas relatam como convivem pacificamente no trânsito agitado de São Paulo. Falta gentileza nas ruas, mas bons exemplos ainda existem.

O blog Quanta gentileza foi procurado pela repórter Simone Tobias, que me entrevistou em razão dos posts que publiquei recentemente sobre casos de falta de gentileza no trânsito, nas ruas, omissão de socorro, etc. Vale a pena conferir, leia abaixo!

Quanta gentileza revista Quatro Rodas!

* Por Tammy de Andrade


Novembro 29, 2009

A gentileza do Profeta Gentileza

Este post é uma homenagem a uma pessoa bastante conhecida no Rio de Janeiro no quesito gentileza, generosidade, fazer o bem: José Datrino, o Profeta Gentileza.

A história do Profeta Gentileza começou na tarde de 17 de dezembro de 1961, um domingo de muito sol em Niterói, capital do estado do Rio de Janeiro na época. Era a primeira matinê da temporada do grandioso Gran Circus Norte Americano. O que era para ser uma festa se transformou numa tragédia, um incêndio criminoso matou mais de 500 pessoas.
“O incêndio no circo foi um chamamento divino para o empresário do setor de transportes José Datrino, morador do subúrbio de Guadalupe, no Rio. Segundo o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Leonardo Guelman, biógrafo do profeta, no dia do incêndio, Datrino guiava um de seus três caminhões, por Nova Iguaçu, quando três vozes astrais lhe disseram que a partir de então ele teria que ser uma espécie de São José e representar Jesus Cristo na Terra. E mais: sua missão teria que começar no local do circo. Ninguém sabe dizer se Datrino ouvira a notícia da tragédia pelo rádio ou se realmente teve a visão. A verdade é que no dia seguinte, ele estacionou um de seus caminhões junto às barcas e distribuiu 200 litros de vinho em copinhos de plástico. “Quem quiser tomar vinho, não precisa pagar nada, é só pedir por gentileza, é só dizer agradecido”.
Como a cidade ainda respirava a fumaça do incêndio da véspera, a Polícia Militar acabou prendendo Datrino, alegando que ele estava perturbando a ordem. Quando os policiais disseram que o levariam para o Batalhão, que ficava perto do local do circo, Datrino respondeu com sua peculiar simpatia: “Ótimo, é ali mesmo que vou ter que começar minha missão”. José Datrino a partir de então passou a chamar-se José Agradecido ou Profeta Gentileza. Além do nome, abandonou também a antiga vida de empresário, inclusive a família, mulher, cinco filhos e 18 netos. Gentileza morou quatro anos no local do incêndio. Fez um jardim, abriu poço e deu um aspecto diferente ao lugar. É por causa disso (morar no local do incêndio) que surgiu a lenda de que o Gentileza perdera toda a família na tragédia. Pura lenda.
Depois saiu dali e percorreu o Brasil, pregando a gentileza. O cabelo e a barba se tornaram longos, dando-lhe uma aparência divina. Uma bata branca, com apliques cheios de mensagens, passou a ser seu traje. Andava segurando estandartes com dizeres em vermelho. Era visto por toda a cidade do Rio e acabou tornando-se uma de suas maiores figuras folclóricas. Entrava nos trens e ônibus para fazer suas pregações. Viajava nas barcas.
A partir de 1980, pintou 56 pilastras do viaduto do Caju, perto da rodoviária, com inscrições em verde-e-amarelo, propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da nossa civilização. A obra, chamada depois de ‘livro urbano’. Gentileza morreu em maio de 1996, na cidade de Mirandópolis, São Paulo, vítima de problemas circulatórios”.

Sua inspiradora trajetória já foi tema de filme, livro e tese em faculdades, já foi samba enredo da escola de samba Grande Rio, programas de TV, inspiração para a criação de uma ONG chamada Rio de Gentileza e, talvez a mais marcante, uma belíssima música de Marisa Monte chamada Gentileza.
Quanta gentileza Profeta Gentileza!

* Por Tammy de Andrade

Novembro 24, 2009

Será que a ligação é mesmo de um call center?

Depois daquela onda de trotes vindos dos presídios passei a desconfiar até das ligações, supostamente, de call center. Alguns meses atrás recebi uma ligação curiosa:

- Boa tarde, gostaria de falar com a senhora Tammy de Andrade.

- É ela.

- Meu nome é Roberwashington Silveira, da editora Abril, e gostaria de confirmar algumas informações sobre a sua assinatura.

Preciso fazer um comentário antes de continuar. Você já reparou na quantidade de atendentes que utilizam nomes impossíveis de se repetir? Cristo! Eu sei que todos trabalham com nomes fictícios, seria então a realização de um sonho diante da possibilidade de se obter um nome de guerra? É interessante que eu nunca vi um atendente de nome Pedro, Roberto, Cláudia, Maria. Tipo assim, nomes simples, sabe?

Enfim, continuando…

- Pois não, Rober…pois não?

- Qual é a revista que a senhora assina?

- Hummm, bem, se você me ligou e se trabalha mesmo na editora Abril imagino que tenha acesso a um banco de dados que tem essa informação, não? Aliás, qual a razão dessa ligação?

- Tuuu, tuuuuu, tuuuuuuuuu, tuuuuuuuuu…

Na cara!!!!! Desligou.

Uns três meses atrás me ligaram da American Express. Putz, é um saco receber ligação de call center de empresas que você nem é cliente, mas vamos lá, os caras tão fazendo o trabalho deles, tento ouvir o que tem pra dizer, vai que é algo imperdível, e se não me interessa despacho gentilmente.

Mas o cara ligou justamente num dia que estava caindo um dilúvio por aqui, chuva de granizo, raios e trovoadas (sem exagero, juro). A ligação estava horrível e o cara da Amex tinha um sotaque carioca difícil de decifrar e falava sem parar, não me dava “ponto de corte”.

Preciso fazer mais um comentário antes de continuar. Quem trabalha ou já trabalhou com edição de imagens sabe perfeitamente do que estou falando quando me refiro a “ponto de corte”. Imagina que você tem uma longa entrevista do FHC pra colocar no Jornal Nacional, mas tem apenas três segundos de espaço. “…asrelações internacionaiseapolíticaexternadoBrasilcomprovaramqueoPaísestáhojenumníveldeamadurecimentoglobalquemerece…”

Aí o editor grita: PQP, o cara não dá ponto de corte!

Voltando ao cara da Amex, foi mais ou menos isso que me aconteceu.

- Senhora Tammy, gostaria de saber se possui algum cartão de crédito no momento?

- Oi? Hein? (A chuva de granizo tava violenta) Moço, a ligação está muito ruim, não estou ouvindo bem por causa da chuva. Pode me ligar amanhã pela manhã?

- Gostaria de saber se possui algum cartão de crédito no momento porque a American Express blábláblá blábláblá blábláblá blá blábláblábláblábláblábláblábláblá blábláblábláblábláblá blábláblábláblábláblá… (foi uma espécie de momento Charlie Brown que durou bastante o suficiente para ele não ouvir meus repetidos pedidos de ligar depois, antes que um raio destruísse meu telefone sem fio e meus tímpanos, e suficiente para que eu desligasse de vez e tirasse o aparelho da tomada.

No dia seguinte ele ligou. O cara era chato pra caramba, mas conseguiu uma nova cliente (até ouvi a gritaria dos seus colegas quando aceitei). A proposta era interessante, isenção vitalícia de anuidade, etc. Forneci todos os meus dados e recebi um e-mail da Bradesco Cartões (?) comunicando que haviam avaliado meus dados e que dentro de alguns dias eu receberia pelo correio o meu mais novo cartão de crédito Super Híper Master Ultra Plus.

Tô esperando até hoje…

* Por Tammy de Andrade

Novembro 12, 2009

A falta de gentileza dos que arremessam lixo da janela do carro!

Dorling Kindersley

Papel de bala, embalagem de chiclete, tampa de garrafa, fralda, latinha e cigarro são alguns exemplos do que eu já vi sendo arremessado pela janela dos carros. Essa atitude “inocente” e irresponsável mantém o carro limpo, mas a cidade… Quando chove ocorre um efeito cascata destrutivo: entupimento de bueiros, inundação, alastramento de doenças, etc.

Enfim, hoje fui ao centro da cidade comprar frutas, estava dirigindo tranquilamente meu carro quando o motorista que seguia bem na minha frente arremessou um cigarro pela janela.

Ato falho!

O cigarro quase entrou no meu carro, mas acabou (pra minha sorte) indo direto pro asfalto. Por muita coincidência, o motorista estacionou exatamente onde eu também precisava parar. Ele estacionou na minha frente, desceu e foi até o açougue.

Pensei comigo mesma, posso muito bem repudiar a atitude desse cara, fazer minhas compras e voltar pra casa achando um absurdo que ainda existem pessoas que não tem a menor consciência com a limpeza da própria cidade. Ou então…

- Com licença! (Abordei sorrindo, claro!) Olha só, o senhor jogou o seu cigarro pela janela e caiu logo ali na rua…

O homem, que estava no balcão fazendo seu pedido ao açougueiro, virou pra mim com uma cara de interrogação (provavelmente não entendeu nada) e foi até a calçada falar comigo. “Como é que é?”

- Então, o senhor atirou o seu cigarro pela janela, tá logo ali, ainda dá pra pegar e jogar no lixo.

- (Birrento) E tem um pedaço de papel aí no chão, do lado do seu pé!

- Pois é, provavelmente foi alguém que pensa assim como você. Se todo mundo pensar dessa forma a cidade vai virar um lixo.

- Olha aqui, moça, eu morei três anos no Japão e…

- …e não aprendeu absolutamente nada com os japoneses pelo visto.

Interrompi, sim, porque nada justifica aquele ato falho. Sorri, dei as costas e fui comprar minhas frutas.

Para quem não sabe ou não teve a oportunidade de conhecer de perto, o Japão é um país extremamente limpo e organizado. De acordo com um artigo do consultor Ciro Yoshinaga, há cem anos, a primeira leva de imigrantes japoneses que desembarcou do navio Kasato Maru, ao chegar à Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo, surpreendeu os brasileiros, pois eles eram diferentes dos demais. Ninguém havia conhecido hóspedes tão disciplinados, organizados e limpos.

Veja só que curioso, todo esse cuidado com limpeza é decorrência dos velhos costumes dos japoneses que, na década de 60, foram padronizados com um conceito chamado “5S”. Os 5S derivam de cinco palavras japonesas que iniciam com a letra S – Seiri, Seiton, Seiso, Seiketsu e Shitsuke. Consiste basicamente em manter a organização, limpeza e padronização, mantendo disciplina necessária para se conseguir o melhor desempenho.

Ao final do artigo sobre as razões do Japão ser um País limpo e organizado o consultor Yoshinaga lança a seguinte pergunta: “Você está fazendo a sua parte?”

Se eu estou fazendo a minha parte? Eu tento, sempre que posso, na melhor das intenções. E se vejo algo errado não consigo me calar. Falo no ato (com um sorriso estampado na cara e toda gentileza, claro), doa a quem doer. Não me interessa quem é a pessoa, onde mora, onde trabalha, o que me interessa são os fatos. Com base em fatos eu classifico se é gentileza ou falta de gentileza, e isso me rende boas histórias.

No caso daquele homem que arremessou o cigarro pela janela bem atrás de mim? Ah, quanta falta de gentileza! Realmente, os três anos em que morou no Japão não te serviram pra nada, meu amigo!

* Por Tammy de Andrade

Novembro 9, 2009

A gentileza das doces lembranças…

ManjarQuando eu era criança costumava voltar para casa de ônibus nos dias que meu pai tinha que fazer algum trabalho em São Paulo. Eu e meu irmão mais velho, o Theo, íamos da escola até o ponto em frente o mercado municipal de Piedade esperar pela condução. Nessa espera, minha maior recordação era de um senhor que passava pelas pessoas com uma assadeira que exalava um cheiro inesquecível de baunilha. Os doces eram de um amarelo bem clarinho e embalados um a um no papel manteiga. Ele gritava: “Ó o manjar, ó o manjar”. O manjar era dos deuses!!!

Quando eu me lembro daquele cheiro de baunilha sinto perfeitamente o sabor, consigo ouvir o barulho das pessoas aguardando o ônibus, lembro do calor que fazia ao meio-dia e da fome enorme que eu sentia ao sair da escola.

Esses dias estava conversando com uma amiga, o pai dela tem até hoje um açougue nesse mesmo mercado. E, claro, perguntei a ela se aquele senhor ainda era vivo e se ainda vendia manjar.

- Sim, ele ainda é vivo, mas hoje só vende picolé.

Fiquei triste. Tinha uma leve esperança de provar novamente aquele doce da minha infância…Mas calma, nem tudo está perdido!

- Tammy, na padaria em frente o açougue do meu pai tem manjar pra vender.

Lá fui eu! Ele tinha acabado de ser feito, ainda estava meio morno e na forma. Insisti que queria mesmo assim uns quatro pedaços (ai, que gorda! mas era pra mim, minha mãe e meus dois irmãos, tá?) e contei a razão da minha expectativa.

Quando vi aqueles quatro pedacinhos amarelinhos cheirando a baunilha foi incrível. Mas, confesso que quando eu era criança tinha a impressão que o manjar era mais clarinho e um pouco mais macio, mas isso não importa mais, foi muito bom recordar essas doces lembranças!

* Por Tammy de Andrade

Novembro 2, 2009

Quando as pessoas perdem a noção ao celular…

B2M ProductionsAlgumas semanas atrás o jornalista e escritor de novelas Walcyr Carrasco publicou em sua coluna quinzenal na revista Veja São Paulo uma crônica muito engraçada sobre a falta de noção de algumas pessoas que não sabem falar em tom civilizado. Não o conheço pessoalmente, mas ele me parece um cara super cidadão, gentil, daqueles que ajuda todo mundo, um cara generoso e divertido (adoraria bater um longo papo furado com ele). Me identifico com seus artigos e com a forma com que ele encara certos “absurdísmos” do cotidiano.

Me lembrei dele quando estive recentemente na Fnac de Pinheiros, em São Paulo. Estava procurando por umas revistas mas acabei desistindo de comprar qualquer coisa porque tive minha concentração interrompida por uma conference call. Sim, uma reunião por telefone em meio a seção de revistas de viagem e turismo da Fnac. É mole? E o cara falava alto, gente! Pra piorar, ele falava alto e ficava andando pra lá e pra cá no corredor, que mala!

- “Pessoal, estão todos me ouvindo bem? Fulana? Beltrana? Vocês estão aí? Quem mais está participando? Ok, ok. Conseguiram contatar o Joãozinho? Pessoal, nós precisamos discutir sobre…”

A partir daquele momento eu desencanei das minhas revistas e fui embora. Affe, que babaca.

Olha, eu admiro quem consegue falar baixo ao telefone (tenho amigos que falam praticamente pro umbigo), confesso que pra mim isso é um desafio e tanto. Eu por exemplo, não consigo falar ao telefone sem expressar emoção. Uma vez fiz um teste, uma amiga me ligou e resolvi testar minha voz mais baixa possível (sem ela saber, claro), me senti uma doente em fase terminal. Quando minha amiga perguntou: “Você tá bem, Tammy? Tá esquisita”. Aí percebi que não tenho jeito mesmo.

Eu tento, mas acho que acabo falando meio alto ao telefone, dou risada mais alto ainda, mas procuro sair de perto das pessoas quando estou num lugar público. Detesto ter a impressão de que estou atrapalhando. Fico num cantinho, entro no meu carro se for o caso, vou para o lado de fora de uma loja, ou para qualquer lugar onde eu não atrapalhe ninguém com as minhas risadas escandalosas (e elas são mesmo!!!!). Ninguém é obrigado a ouvir minhas bobagens.

Como disse o Walcyr Carrasco em sua crônica, cultivar o tom de voz é uma qualidade que muita gente esqueceu. Mas algumas atitudes são praticamente um desrespeito a outra pessoa.

* Por Tammy de Andrade

Outubro 23, 2009

A falta de gentileza no trânsito de São Paulo

UpperCut ImagesUma pesquisa realizada pelo Movimento Nossa São Paulo e Ibope revelou que os paulistanos gastam, em média, duas horas e 43 minutos por dia nas idas e vindas de casa para o trabalho. Todo esse desgaste pode ser a principal razão para tanta pressa, intolerância e violência no trânsito da cidade. São, em média, 4,3 mortes por dia. Em Nova York, por exemplo, a média é de 0,7.

A consequência natural de todo esse tempo despendido no trânsito é a falta de gentileza. Pessoalmente, acho que não há nada mais irritante do que tentar mudar de faixa na Marginal, por exemplo. Primeiro porque a super população de motoboys que “voa” entre os carros buzinando e detonando nossos retrovisores não permite. Se o motorista estiver próximo de alguma entrada e precisar mudar de faixa imediatamente, esquece, em São Paulo é preciso fazer isso com alguns quilômetros de antecedência.

Segundo porque não sei explicar o que acontece quando uso a seta, parece que todos os carros resolvem me sacanear, devem pensar: “Ah, está dando seta, hein? Quer entrar na minha frente? De jeito nenhum, vou é acelerar! Se eu reduzir a velocidade vou perder 0,001 segundo do meu tempo nesta marginal congestionada!”.

Parece piada, mas acho que as pessoas não curtem muito me dar passagem. E quando isso acontece nunca recorro a buzina. Aliás, eu odeio buzina! Aprendi uma técnica que alivia minha tensão. Ao invés de buzinar, fazer gestos obscenos e cara feia para o infeliz da faixa ao lado, abaixo o vidro do carro, dou um sorriso e faço sinal de jóia com as duas mãos pro motorista e falo: “Valeu (por não me dar passagem)!!!”. Todo mundo fica sem graça, impressionante.

Mas voltando a buzina. Acho que essa deve ser a segunda coisa que mais me irrita no trânsito de São Paulo, especialmente pela manhã quando acabo de sair da cama, tomei meu café da manhã, tô em paz…Aí vem um (a) nervosinho (a) que dormiu com a bunda descoberta (só pode ser) e mete a mão na buzina por qualquer coisa. E hoje as buzinas são mega potentes, né? Putz, meu coração dispara, o café da manhã vira pedra no meu estômago, me dá uma agonia enorme.

Mas enfim, há mais ou menos dois meses me mudei de São Paulo, esta semana estive na capital para curtir minha folga. Em meio ao congestionamento do Itaim Bibi, achei uma vaguinha bem boa na rua João Cachoeira. Quando dei seta já imaginei que o taxista atrás de mim ia colar na traseira do carro, mas não, ele me esperou fazer a baliza. Ô homem gentil, nem acreditei!

É impressionante como a cidade nos consome. Numa determinada hora do dia eu estava andando a pé no maior gás, entrei no carro e comecei a dirigir na maior velocidade, depois me dei conta de que eu não tinha porque ter pressa. Não tinha nenhum compromisso que pudesse morrer se chegasse uns minutinhos mais tarde. Eu tava de folga! Aí eu desacelerei…Acho que quem dirige no trânsito de São Paulo entra num circulo vicioso que parece que estão usando aqueles antolhos que impedem os cavalos de olhar pro lado, sabe? É preciso desacelerar (em todos os sentidos), caso contrário é impossível notar a quantas anda a falta de gentileza dos motoristas da cidade.

* Por Tammy de Andrade